As palavras são do amado Zé. Quando ele viveu essa história eu era pequerrucha e fiquei na casa dos meus avós. O texto é lindo e uma singela homenagem para essa grande mulher, que representou muitos e muitos jovens durante o período da ditadura e que deve ser exemplo para nós, que por vezes ficamos inertes aos absurdos do dia-a-dia.
O texto está aqui.
Faria 62 anos! Hoje: 13 de março de 2009.
Choro gostoso que foi saindo de repente,
Memória, infância e invenção daquilo que não é lembrança.
Magrela de perna grossa e narigão.
Mãe.
Um brinde à saudade!
.MC.
É de repente que a ficha cai, quando você já deixou de pensar.
Por muitos anos achei que deveria fazer regressão, ou então consultar um psicólogo. Queria entender porquê não lembro da minha mãe, queria entender porquê sentia culpa, queria entender isso e aquilo.
Aí entendi que essa é a minha história. Não lembro porque não lembro e não há problema nisso. Foi minha escolha, certo?
Quando ela ficou doente preferiu ficar longe de todos, não fisicamente, e essa foi a escolha dela, certo?
Então é simples, ninguém tem culpa, somente agimos de acordo com aquilo que acreditamos, de acordo com o que sentimos ser o melhor.
É tão incrível conseguir encaixar as peças do quebra-cabeça e acho que isso só o tempo traz. As experiências vão mostrando coisas que levam pra lugares profundos e que possibilitam a compreensão nítida de muitos fantasmas.
Amadurecer é um processo lento e saboroso. É como comer o doce preferido aos poucos só pra demorar mais pra acabar.
.MC.
Preferiu o vaso ao chão,
Encontrou repouso.
Cresceu bonita, boneca,
Só pra ver o mundo.
Preferiu o chão ao vaso,
Encontrou refúgio.
Cresceu forte, foguete,
Pra cair no mundo.
Encantados atos pela escolha dos sapatos,
No vaso, no chão, na chuva vivida.
E tem chuva à vista!
.MC.