Quando ouvi a frase “estou grávida” voltei correndo pros tempos em que ainda era maior que você. Vi tudo com tanta nitidez. Finais de semana intensos, querendo que nunca acabassem, canções de “despedida” acompanhadas de algumas lágrimas, mas depois vinha a frase “um sorriso no meu rosto pra você levar pra casa” e tudo ficava bem. A semana passava, a escola, as novidades, os namoricos (tudo acompanhado de telefonemas e cartas detalhando os acontecimentos).
Aí o final de semana chegava de novo… ê alegria! O filme E.T. com máscara, antenas e lençol. A Cidade da Criança. As tirações de sarro de tudo. As caixas e caixas de bubbaloo (comendo todos juntos e de uma vez). As vendinhas de doces. Os carnavais (o de 92 em especial). A primeira vez. A troca de absorvente. A prova de amizade com biscoito Maizena. O Papai Noel Giuseppe. Os papos longos madrugada adentro. O show do Erasure na TV (“I can´t believe what is happening to me my head is spinning”). O show da Legião Urbana no Palmeiras com xixi na calça. O show do A-Ha, também no Palmeiras. O xixi na calça no meio da rua por conta de tanta risada… e a chuva caía e a gente caía junto… e ria… ria… ria… até quase desmaiar. A menstruação chegando e a aula sobre o funcionamento do corpo feminino. O primeiro namorado. As fugas para o Shopping Paulista e as desculpas pelo atraso. A correria pra fugir da Mancha Verde. O prédio da Clô e o último andar. As coreografias ensaiadas com muito suor e afinco. A apresentação de final de ano. A combinação de meia-calça vermelha com short jeans e blusa vermelha. As danças na balada… com lenço e tudo. O porre durante a Copa não lembro de qual ano. A distância. O tempo. O espaço. O retorno. O sempre. O infinito. A ida e vinda. O telefone. A carta. A saudade. O dia. A noite. Um passo. Um Rio de Janeiro e uma São Paulo.
E agora um pequenino ou uma pequenina. Meu sobrinho ou minha sobrinha. Ufa…Tô ansiosa demais pra ver se sairá cabeludo(a), com nariz avantajado (afinal somos Cetra). Tô ansiosa e ponto! Tô feliz e ponto! Quero te ver logo… ver esse processo de perto. E ouvir “tia Mariana”.
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